domingo, 15 de fevereiro de 2009

Super-poderes

Todos nós gostávamos de ter super poderes para que pudéssemos ser especiais e únicos. Voar, curar, teletransportar ter uma super força ou uma poção do amor…Assim, talvez nos sentíssemos melhor, mais completos, confiantes e seguros. Talvez os nossos sonhos se tornassem realidade. Quem sabe não seríamos famosos e extraordinariamente ricos? Ah, sim…como poderíamos ser felizes!
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Mas se fossemos diferentes de todos os outros, que piada teria a vida? É a igualdade que torna tudo tão divertido. Queremos sempre ser superiores aos outros, mas não pensamos como seria a vida se o fossemos. Se dissemos que voávamos ninguém acreditaria e se alguém nos visse voar, tremeria de medo e fugiria, como se fossemos autênticos anormais.
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É tão bom sermos iguais e tão normais como qualquer pessoa no mundo! Não é necessário ser especial para se ser feliz. O que é preciso é aproveitar tudo o que o mundo nos oferece e viver a vida, não nos limitando apenas a existir. Um sorriso, um passeio na praia, um pôr do sol, um olhar comprometido, uma gargalhada com os amigos, uma viagem… tudo isto tão normal e disponível! Quem precisa de um super-poder, se a felicidade está mesmo à porta?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Confusões

Era um dia cinzento igual a muitos outros que já tinha vivido. A única diferença eram as roupas que trazia vestidas e o cabelo apanhado que lhe realçava os contornos serenos da face.
Despreocupada, Laura encaminhava-se para o portão de casa pelo carreiro de pedras vermelhas com uma mala às costas.
Era um dia normal. Haviam aulas, haviam pessoas normais, rostos conhecidos, sentimentos banais, horários para cumprir, objectivos a atingir, pessoas a agradar e sobretudo tentativas de brilhar bem definidas. Apesar de tudo o que um dia de aulas de rotineiro possa indicar, era fácil enfrentá-lo, sem preocupações ou confusões, apenas com serenidade.

Se era um dia como os outros porque teria de não ser?

Se ninguém tivesse dito nada, todas as recordações, todos os sentimentos inexplorados, todas as duvidas ou expectativas teriam permanecido bem adormecidas e possivelmente nunca mais teriam despertado.

Afinal era um dia cinzento, com as estradas molhadas, em que as pessoas empunhavam guarda-chuvas e se acotovelavam pelas calçadas, em que as gentes apressavam o passo em busca de um lugar seco… Se era um dia normal, porque mudá-lo?
Laura sabia tudo o que lhe tinham dito. Sabia das suspeitas que nunca mais tinha repetido para si própria, sabia das possibilidades que não admitia a si mesma e sabia das consequências que enfrentaria ao pensar demasiado num assunto como aquele. Por isso esqueceu.

P’ra que repetir? Recordar ou avivar aquilo que estava guardado?

Agora o dia não seria normal… Teria de se preocupar e esquecer as expressões serenas que a caracterizavam. Teria de se mostrar confusa. Teria dores de cabeça e precisaria de tempo para pensar sobre todas as decisões. Teria de se expor e descansar mais tempo.

Agora, não seriam apenas dias normais. Teriam de ser dias em que Laura caminhava pelo carreiro de pedras vermelhas, com as mãos no casaco, com uma expressão de ansiedade e com uma sombra indecisa no olhar.

Seriam agora, dias cinzentos confusos.
Catarina*

domingo, 8 de fevereiro de 2009

A insatisfação

A insatisfação é algo que infelizmente me acompanha permanentemente na minha vida. Por mais sucessos que tenha alcançado, aquilo que ainda me falta torna-se muito mais importante. Posso já ter conhecido muitos lugares, mas apenas penso naqueles que ainda tenho para conhecer. Posso ter uma boa família e um bom trabalho, mas sinto a necessidade de ter algo mais, sem saber exactamente o quê. Posso já me ter divertido muito, mas nunca o suficiente para me sentir realizado. A verdade é que nunca estou satisfeito. O que já tenho faz-me feliz, mas o que não tenho faz-me ignorar essa felicidade. E isto parece que nunca irá mudar.

De facto, tudo se prende com a atitude. Tudo gira à volta do copo meio cheio ou do copo meio vazio. Ou pensamos na metade que está cheia, ou pensamos na metade que está vazia. No entanto, tendemos sempre a olhar para a parte que está vazia e sentimo-nos insatisfeitos.

A insatisfação surge porque não somos capazes de aproveitar tudo aquilo que já alcançámos. Tudo se assemelha a uma simples corrida, na qual o que mais interessa é cruzar a meta e não o percurso por que passamos.

No entanto, apesar de termos consciência disso, a verdade é que passamos grande parte da nossa vida a cruzar essas metas, sem realmente aproveitarmos tudo o que se passa nos intervalos entre elas.
De facto, se aproveitássemos o que já alcançámos e tudo o que nos rodeia seriamos muitos mais felizes e satisfeitos. Porque não mudar essa atitude? Porque não começar hoje?

Escolhas

A vida é feita de escolhas.

Todas as decisões, mais ou menos importantes, desde coisas perfeitamente banais até outras que nos tiram a calma por algum tempo, desde algo que nos diga respeito só a nós mesmos a outra coisa qualquer que envolva mais pessoas, envolvem uma escolha, uma opção, uma resposta…
E nem sempre somos capazes, de prontamente, responder ao que nos foi colocado. Não sabemos decidir, responder, escolher, traçar…

Há quem o faça, confiante, e diga “sim” ou “não” ao acaso pondo a responsabilidade no destino, que mais tarde se encarregará de lhe dar os frutos da decisão.

Mas há quem não consiga ser assim tão simples, confiante ou esperançoso e não consegue optar. Não porque tem poucas opções mas porque tem medo do que as opções lhe poderão trazer do futuro.

Será que é a opção mais correcta? E se não for? O que é que vai acontecer?

Temos medo e é perfeitamente natural tê-lo. Afinal, muitas das escolhas poderão afectar o resto das nossas vidas e temos de dar às opções a importância de uma vida inteira.
Não me refiro às escolhas de azul ou rosa, nem às escolhas de cruzes sim ou não. Mas sim, às escolhas do género de: “o que quero para mim”, “o que devo dizer”, “o que fazer neste ou naquele momento”, “o que deixar que me façam”…

Afinal, o destino somos nós que o traçamos e são as nossas decisões que o irão construir.

Teremos de criar um destino mais ou menos cinzento, e aí sim, havemos de optar entre preto ou azul, branco ou amarelo; teremos de criar um destino mais ou menos aproveitado e aí sim diremos sim ou não às oportunidades que se nos apresentarem.

Decidir tem sempre a palavra responsabilidade agregada.
Porque independentemente dos (bons ou maus) resultados das nossas escolhas estes serão sempre nossos e teremos de ser sempre nós a lidar com eles.

Catarina*

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Reaprende

No inicio custa. Adaptar é sempre difícil.

Estranhas a falta de claridade, estranhas os poucos rostos conhecidos, estranhas o barulho.
Estranhas os movimentos desconhecidos, estranhas as vozes roucas, estranhas as emoções extasiadas.

“Primeiro estranha-se, depois entranha-se.”

E vives tudo como se tivesses acabado de nascer. Como se dançasses, risses e te divertisses pela primeira vez.
Aprendes tudo de novo.
Os passos, a euforia, as frases sem nexo, as emoções descontroladas, os risos, as expressões de gozo, a confusão, a distracção, a alienação do real…
Tudo te deixa anestesiada. Não assimilas nada no tempo real. Deixas pra depois.
Ouves tudo o que te dizem, aceitas ou declinas, sorris ou franzes o sobrolho, ris ou viras a cara.

Danças e sentas-te. Descansas.
Danças e cantas. Voltas a dançar.
Uma última vez, agora mais calma.

Sorris. Já aprendeste novamente a ser feliz.

Tudo parece tão simples, tão especial, tão feliz, tão teu…
E sim, é de facto tudo simples, especial, feliz e teu.

Depois, ficam as recordações… As tuas, as minhas e as de quem se lembrar.

Catarina*