Um dia escrever-te-ei um poema, um que valha a pena, do tamanho de Adamastor e da minha imaginação.
Escrever-te-ei dos dias de escrita à janela, dos sorrisos aos ecrãs, dos louvores aos compromissos e das críticas às ilusões.
Dir-te-ei em sussurro as inseguranças, os desejos, os orgulhos e os sonhos…
Farei com que sintas a ansiedade e a procura desenfreada do meu abraço no poema que a ti será dirigido.
Dar-te-ei em testamento poético os malmequeres as tulipas que plantei com o vento, naquele vaso ingénuo que tu próprio achaste ser o meu mundo cor-de-rosa.
Farei com que à medida que fores lendo, te absorvas, te arrepies, te aproximes e te aprisiones às minhas palavras, aos meus pensamentos e a tudo aquilo que sou e sei ser…
Ainda não sei como irei escrever mas sei que o farei. Sei que te irei falar do ano complicado que se estará a esgotar e das surpresas que nele irei encontrar.
Estou certa que irás gostar e aplaudir cada palavra. Dir-me-ás que estás feliz e que aquele poema é perfeito, tão perfeito como o castelo subtil que iremos desenhar com o tempo.
Irás retribuir-me o abraço, elogiar as pétalas brilhantes que imaginei e apreciarás a minha opinião franca do mundo agreste que eu teimo em ignorar a fim de conservar a minha ingenuidade terna e fatal.
Será um poema, um conto e um ponto, uma história, uma espécie de Panis Angelicus adaptado às incoerências de alguém que vive afogada em pensamentos complexos.
Sei que será assim. Um poema meu e teu, nosso.
Sei com a mesma certeza fraca e ténue que também me diz que quando assim for, será único e irracional.
Um dia será assim…
Um dia terei um poema ilógico e verdadeiro escrito, porque um dia irei ter um verdadeiro, único, fiel e ilógico amor a quem escrever.
31-12-09
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
machines
E se a máquina falha não foi ela que falhou. Foi o Homem quem a criou.
E o Homem falha porque pensa e porque sente e porque vive.
A máquina não falha. Se falha é porque o criador a deixou falhar. Não a preparou para o êxito total. Se o Homem a cria com falhas, ela irá falhar. Se a cria, dotado de toda a supremacia e omnisciência sobre ela, sem qualquer absoluto cálculo errado, então não falha.
A máquina não ama nem é feliz. Se disser que ama e que é feliz, é porque alguém a fez para artificialmente o dizer. Dizer que ama e que desfruta da vida.
Mas dizer…
Dizer?
Palavras nem sempre bastam. Bastam para as máquinas que não sentem os sons e as letras e as frases. Só as decoram, codificam ou descodificam e programam.
Dizer?
Diz-se muito e demais. Fala-se tanto mas conversa-se tão pouco.
As máquinas não conversam. Falam. Dizem. Criam utilidade.
Mas não sentem, não amam nem conversam.
Porque se sentissem, conversassem ou amassem era certamente humanos. Porque só o Homem ama.
Cria. Destrói. Ama. Odeia. Glorifica. Derruba. Sente. Esquece. Aproveita. E falha.
O Homem cria as suas máquinas e com elas, se estas falham, cria as falhas delas. Mas as falhas que cria, são conhecimento. São erros mas saber futuro.
Quando se erra já se sabe que o caminho não é por ali.
Cria-se e erra-se. E tem-se consciência do que se é.
O Homem cria e ama a criação que saiu de si. Orgulha-se e felicita-se. E vive com os outros e ás vezes para os outros.
Se falha foi porque tentou.
Porque quem não tenta não falha
nem alcança nada.
AnaCatarina.
E o Homem falha porque pensa e porque sente e porque vive.
A máquina não falha. Se falha é porque o criador a deixou falhar. Não a preparou para o êxito total. Se o Homem a cria com falhas, ela irá falhar. Se a cria, dotado de toda a supremacia e omnisciência sobre ela, sem qualquer absoluto cálculo errado, então não falha.
A máquina não ama nem é feliz. Se disser que ama e que é feliz, é porque alguém a fez para artificialmente o dizer. Dizer que ama e que desfruta da vida.
Mas dizer…
Dizer?
Palavras nem sempre bastam. Bastam para as máquinas que não sentem os sons e as letras e as frases. Só as decoram, codificam ou descodificam e programam.
Dizer?
Diz-se muito e demais. Fala-se tanto mas conversa-se tão pouco.
As máquinas não conversam. Falam. Dizem. Criam utilidade.
Mas não sentem, não amam nem conversam.
Porque se sentissem, conversassem ou amassem era certamente humanos. Porque só o Homem ama.
Cria. Destrói. Ama. Odeia. Glorifica. Derruba. Sente. Esquece. Aproveita. E falha.
O Homem cria as suas máquinas e com elas, se estas falham, cria as falhas delas. Mas as falhas que cria, são conhecimento. São erros mas saber futuro.
Quando se erra já se sabe que o caminho não é por ali.
Cria-se e erra-se. E tem-se consciência do que se é.
O Homem cria e ama a criação que saiu de si. Orgulha-se e felicita-se. E vive com os outros e ás vezes para os outros.
Se falha foi porque tentou.
Porque quem não tenta não falha
nem alcança nada.
AnaCatarina.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
women.
A man can have a woman and love her.
A man can have a gun and he can like it.
A Man can have a gun and kill someone or kill himself.
But if a man loves a woman, he can't kill anyone, just himself. -AC
Há alguns dias disseram-me que as mulheres eram a coisa mais perigosa do mundo.
Bem, não acredito que sejamos assim tão temíveis, mas alguma razão ele há-de ter.
Podemos, hipoteticamente (e baseada na opinião de alguém) designar as mulheres como as SS.
SS porquê? Porque na opinião dele, as melhores ou as piores armas das mulheres – armas estas que nos conferem o título de maior perigo – são a Sensualidade e a Sedução.
Nem todas as mulheres as usam por norma, mas quando queremos algo, com muita vontade, há que saber dispor do que nos foi oferecido pela natureza.
As mulheres não têm nada a ver com beleza exterior. Bonitas ou foram dos padrões, usam-se outros trunfos. Trunfos de personalidade.
Nem todas as mulheres querem, mas a maioria quer alguém que as faça sentirem-se ainda mais especiais do que merecem.
Alguém que as faça sorrir sinceramente ou mostrar um sorriso enviesado, alguém que as deixe suspensas com um poema, uma canção, uma frase, um olhar…
Não querem o mundo mas gostam que alguém mostre que lho poderia dar, porque ela o merece e porque ele a ama o suficiente para isso.
Mulheres gostam de sorrisos e de mãos dadas, de olhares travessos e gargalhadas comprometidas.
Gostam que as seduzam levemente, sem ponta de arrogância, prepotência ou possessão.
Gostam de amar. E para isso e quando isso, em horas de dificuldades, fazem uso do título. SS. Porque as armas foram feitas para tempos difíceis e nunca ninguém disse que o amor era fácil.
Nem sempre resultam e quando resultam nem sempre é para sempre.
Mas acabam por resultar uma, duas, três, quatro, cinco vezes …
Até que há-de chegar ao ponto perfeito. A mulher usa a melhor frase, o sorriso mais encantador, ao mais profundo olhar, ao perfume mais convidativo, à dança mais abrasiva, ao tocar mais marcante… Em resumo, à sedução perfeita.
Não se oferecem. Mas são capazes de mostrar os defeitos e as qualidades de uma maneira cativante, doce, suave e hipnotizante, conjugando a sensualidade da sua personalidade com a sedução do ambiente criado.
O que quer então uma mulher? Quer o mundo e todo o resto. É com certeza um conceito subjectivo aquele que têm, temos, do mundo.
Mas é um mundo onde é legal o uso propositado de armas. E é um mundo onde as mulheres nem sempre vencem mas onde também não morrem em combate.
Ac.
sexta-feira, 20 de novembro de 2009
assim assim.
Li recentemente um livro que começava quase todos os capítulos assim “Antes não havia nada. Antes não havia Deus. Antes de Deus não havia nada”.
Fez-me pensar em várias coisas.
E a esse pó, do qual somos todos criadores, todos somos alérgicos. Alérgicos à criação, não do tudo mas do nada, porque ninguém quer ter um nada, um nada é frio e só e vazio e triste e estranho. Ninguém vive no nada.
Quando temos nada estamos um bocadinho mortos. Ou a morrer ou a ressuscitar depois da quase falência.
Às vezes temos tudo. Temos os sorrisos, as promessas, os risos, as alegrias, os gritos e as emoções, os amores, as melhores amizades e as amizades eternas, os sonhos, os horizontes e as certezas.
Às vezes temos nada ou quase nada. Temos sorrisos vazios e leves, esvoaçantes. Temos alegrias projectadas em quando ainda havia tudo. Temos gritos e emoções e amores tristes. Às vezes quando temos nada não temos as melhores amizades e as amizades eternas, que ficaram com tudo. Os sonhos, os horizontes e as certezas estão debaixo do pó em que as certezas, os horizontes e os sonhos se transformaram.
Quando temos nada temos frio. Há cinzento e escuro, andamos em caminhos onde o acendedor de candeeiros que o principezinho conheceu não iluminou. Há casas, pessoas, caminhos, escolhas iguais, umas às outras. Quando há nada temos sempre alguma coisa. Mas são coisas que são nada. Porque o nada é triste. E o tudo é aquilo porque nos damos. O tudo, quando há tudo, até podemos nem ter nada, porque afinal, quando há tudo, nada importa.
Mas nem sempre há tudo. Às vezes há pó. E como somos alérgicos, ficamos vermelhos e choramos.
AnaCatarina
Fez-me pensar em várias coisas.
Às vezes há tudo outras vezes há nada. Normalmente há sempre nada e depois qualquer coisa aparece e transforma o nada em tudo. E às vezes, nada que entretanto já fora tudo, volta a nada, volta a cinzas e a pó.
E a esse pó, do qual somos todos criadores, todos somos alérgicos. Alérgicos à criação, não do tudo mas do nada, porque ninguém quer ter um nada, um nada é frio e só e vazio e triste e estranho. Ninguém vive no nada.
Quando temos nada estamos um bocadinho mortos. Ou a morrer ou a ressuscitar depois da quase falência.
Às vezes temos tudo. Temos os sorrisos, as promessas, os risos, as alegrias, os gritos e as emoções, os amores, as melhores amizades e as amizades eternas, os sonhos, os horizontes e as certezas.
Às vezes temos nada ou quase nada. Temos sorrisos vazios e leves, esvoaçantes. Temos alegrias projectadas em quando ainda havia tudo. Temos gritos e emoções e amores tristes. Às vezes quando temos nada não temos as melhores amizades e as amizades eternas, que ficaram com tudo. Os sonhos, os horizontes e as certezas estão debaixo do pó em que as certezas, os horizontes e os sonhos se transformaram.
Quando temos nada temos frio. Há cinzento e escuro, andamos em caminhos onde o acendedor de candeeiros que o principezinho conheceu não iluminou. Há casas, pessoas, caminhos, escolhas iguais, umas às outras. Quando há nada temos sempre alguma coisa. Mas são coisas que são nada. Porque o nada é triste. E o tudo é aquilo porque nos damos. O tudo, quando há tudo, até podemos nem ter nada, porque afinal, quando há tudo, nada importa.
Mas nem sempre há tudo. Às vezes há pó. E como somos alérgicos, ficamos vermelhos e choramos.
AnaCatarina
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Hoje ouvi-te cantar
Sabes uma coisa? Hoje ouvi-te cantar. Estavas meio distraída, parecias nem reparar no mundo à tua volta. Murmuravas uma qualquer letra de uma música americana e de vez em quando abanavas os ombros quando o ritmo assim o exigia. Que engraçado, nunca te tinha visto tão espontânea. O normal seria ver-te de cara envergonhada, os olhos a mirar o chão e com o cabelo a tapar-te a cara como se isso te protegesse das pessoas que te interpelam. No entanto hoje apanhei-te desprevenida... E como eu gostava de te ver sempre assim, desprevenida! Olha que o mundo pode não ser exactamente como as músicas americanas, mas também não lhes fica nada atrás. E podes sempre criar uma nova música. Manténs a melodia e mudas a letra! Podemos cantá-la os dois se quiseres.
Pronto, lá estou eu a falar contigo como se tu me conseguisses ouvir! A verdade é que nem sequer estás a reparar que te estou a observar. Por um lado, até quero que repares em mim, mas por outro sei que não te mostrarias tão natural e disponível. Provavelmente paravas de cantar abruptamente, encolhias e cabeça, mudavas de direcção e da próxima vez que me visses fazias de conta de que não me reconhecias.
Às vezes não te entendo. O que te assusta tanto nos outros? Eu não sei responder a esta pergunta. Talvez um dia tu me expliques quando tiveres paciência. Imagino-te daqui a uns anos, numa reunião importante da empresa onde trabalhas. Apresentas um projecto a uns clientes internacionais. Falas a língua que tanto utilizavas em tempos para cantar as tuas músicas americanas. No entanto, mostras-te envergonhada, com a cara direccionada para o chão. O teu tom de voz tão baixinho como sempre foi e o teu ar de pavor a apoderar-se da tua expressão sem que consigas controlar.
É claro que isto é só imaginação. Na realidade, daqui a uns anos, serás uma mulher completamente diferente. Talvez mais confiante que a maioria e com um à vontade impressionante. Toda a gente muda e tu não serás excepção.
Mas sabes que mais? Por agora vou continuar a aproveitar este momento. Ver-te assim tão livre e desprotegida não é fácil. E se queres que te diga, ficas linda desta forma e esse abanar de ombros está cada vez mais convincente. Vá, não pares, continua!
Talvez um dia te conte que hoje te observei, mas hoje fico-me calado. Não quero que te chateies.
Agora vou tentar não denunciar a minha presença... Ah, e já agora, para quem está sempre calada, não cantas nada mal! E eu a pensar que nunca iria ver este teu lado tão adorável...
Pronto, lá estou eu a falar contigo como se tu me conseguisses ouvir! A verdade é que nem sequer estás a reparar que te estou a observar. Por um lado, até quero que repares em mim, mas por outro sei que não te mostrarias tão natural e disponível. Provavelmente paravas de cantar abruptamente, encolhias e cabeça, mudavas de direcção e da próxima vez que me visses fazias de conta de que não me reconhecias.
Às vezes não te entendo. O que te assusta tanto nos outros? Eu não sei responder a esta pergunta. Talvez um dia tu me expliques quando tiveres paciência. Imagino-te daqui a uns anos, numa reunião importante da empresa onde trabalhas. Apresentas um projecto a uns clientes internacionais. Falas a língua que tanto utilizavas em tempos para cantar as tuas músicas americanas. No entanto, mostras-te envergonhada, com a cara direccionada para o chão. O teu tom de voz tão baixinho como sempre foi e o teu ar de pavor a apoderar-se da tua expressão sem que consigas controlar.
É claro que isto é só imaginação. Na realidade, daqui a uns anos, serás uma mulher completamente diferente. Talvez mais confiante que a maioria e com um à vontade impressionante. Toda a gente muda e tu não serás excepção.
Mas sabes que mais? Por agora vou continuar a aproveitar este momento. Ver-te assim tão livre e desprotegida não é fácil. E se queres que te diga, ficas linda desta forma e esse abanar de ombros está cada vez mais convincente. Vá, não pares, continua!
Talvez um dia te conte que hoje te observei, mas hoje fico-me calado. Não quero que te chateies.
Agora vou tentar não denunciar a minha presença... Ah, e já agora, para quem está sempre calada, não cantas nada mal! E eu a pensar que nunca iria ver este teu lado tão adorável...
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