sexta-feira, 12 de junho de 2009

Vem sentar-te comigo!


Estava escuro, mas só de ver os contornos imperfeitos do teu corpo desenhados pelo luar caminhando na minha direcção, esbocei um sorriso. Nunca costumo sorrir, de tal modo que às vezes penso que tenho os maxilares colados um ao outro. Mas desta vez nem tive que me esforçar para que isso acontecesse. És assim, surpreendes-me!

- Senta-te. Vem falar comigo. Conta-me como tens passado – disse.

Na verdade, só te queria ouvir. Fez-me falta a tua voz. Por vezes, quando estamos muito tempo separados, são os pormenores mais simples que me ocupam o pensamento durante os dias. Lembras-te da última vez quando chegaste a casa e me perguntas-te “Porque é que cheira tanto ao meu perfume pela casa inteira?”. Pois é, apanhaste-me. Habituei-me incontornavelmente ao teu cheiro que não consegui viver sem ele. Tirei a tampa do pequeno frasco cor-de-rosa e desatei a espalhá-lo por todas as divisões.
Gosto destas pequenas lembranças. Fazem-me gostar ainda mais de ti. Mas, como deves calcular, não quero voltar a ter memórias deste tipo. Significam que estive longe de ti. Quero-te aqui comigo, nem que seja sentada neste banco de pedra, mas quero-te. Eternamente.

- Amo-te – ouvi-me dizer, temendo que a distância se impusesse de novo entre os nossos corpos e levasse a voz e o perfume de que eu tanto gosto.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Eleições Europeias?

Durante os últimos dias tenho feito uma reflexão aprofundada sobre o estado da política em Portugal. Desde a última semana, com as previsões e sondagens realizadas sobre os resultados das eleições para o Parlamento Europeu e com os comentários efectuados pelos comentadores e pelos líderes dos principais partidos após a eleição, tenho reparado em algumas situações que revelam claramente o estado da política no país que vivemos.

Em primeiro lugar é destacável a elevada percentagem de abstenção (62.5%), superior à média da União Europeia. Ao que parece, o povo português continua a olhar para as Instituições Europeias como organismos distantes que não têm interferência directa nas suas regiões. Demonstrativos da ignorância da população são também os comentários que são efectuados em entrevistas de rua, onde muitas pessoas afirmam não saber o que é o Parlamento Europeu e desconhecem os candidatos, afirmando não ir votar em protesto ao governo socialista.

Em segundo lugar, devo dizer que esta questão do voto em protesto ao governo, que tem sido muito badalada nos meios de comunicação, também me inquieta. Isto porque, sendo estas umas eleições a nível europeu, os eleitores, em vez de analisaram o trabalho feito pelos candidatos ao longo do último mandato, assim como as posições e as propostas apresentadas pelos partidos, justificam a abstenção ou a mudança de voto com os resultados alcançados pelo Governo de José Sócrates. E foi este facto que determinou o resultado das eleições, com a vitória do PSD e a subida do Bloco de Esquerda e do PCP. Em relação a esta questão devo dizer que não achei correcto terem encarado estas eleições como uma primeira volta das legislativas, porque efectivamente não o são. Por isso é que existem eleições diferentes e parece que os portugueses não conseguem distinguir os momentos eleitorais.

Em suma, é de lamentar o estado da política e do eleitorado em Portugal. E a culpa pode atribuir-se: aos próprios partidos, que afastando-se do objectivo destas eleições, discutem o caso BPN e as acções de Sócrates nas suas campanhas; aos media, onde muitos comentadores não analisam as questões europeias, mas sim as fraquezas do governo, tratando estas eleições como uma oportunidade para manifestar um protesto ao Partido Socialista; e aos próprios eleitores, que revelam não estar informados sobre as entidades que os representam.

E é por esta razão que continuo a afirmar que, mais uma vez, estas campanhas e estas eleições se revelaram apenas como um jogo de interesses e ataques partidários, aos quais já estamos habituados, e não como uma oportunidade para encontrar soluções viáveis para a existência de uma melhor representação a nível europeu e para a promoção de uma maior consciência política dos cidadãos.

domingo, 7 de junho de 2009

Despedida

Todas as histórias, boas ou más, de curta ou de longa duração, fictícias ou reais, têm de ter um final. Podem acabar com um casamento, um nascimento, uma morte, uma despedida, uma viagem, um beijo, uma lágrima ou um sorriso, mas inevitavelmente acabam.
Podemos sempre ter tido consciência de que, de facto, um final nos esperaria irredutível na última página. No entanto, nada é tão verdadeiro como vivê-lo. É fácil observar uma porta a fechar-se, o difícil é saber que não a poderemos voltar a abrir.

Hoje, uma porta fechou-se. E do outro lado da parede ficaram, estáticos, muitos momentos, brincadeiras, amigos, discussões, alegrias, tristezas, palavras que não devíamos ter dito e aquelas que ficaram por dizer.

Nem tudo é tão simples, mesmo quando estamos certos de que o é. Posso querer mudar de vida, conhecer novas pessoas e construir novos objectivos, mas uma despedida nunca é fácil. Por mais momentos maus que passei nos últimos três anos, existem sempre coisas boas de que vou ter saudade. E mesmo o simples facto de saber que não poderei voltar atrás deixa-me um sentimento de nostalgia enorme que é difícil de ignorar.

Sei, por experiênci própria que todos os laços que construi durante este período vão tornar-se cada vez mais frágeis. Talvez desapareçam mesmo. Mas, mesmo que muitos deles desapareçam, os seus reflexos irão permanecer para sempre na pessoa que sou hoje.

E é por isso que quero agradecer a todos os que constribuiram para a minha felicidade nos últimos anos.
A todos vocês que me fizeram bem, deixo aqui um sincero obrigado!

Spiderweb'

Calmamente, como quem procura um recanto sossegado, a aranha procurava o momento certo para construir a sua teia.
Sabia que o tempo não parava e que tinha um prazo a cumprir, mas ainda assim, ela achava que tinha tempo para tudo o que precisava fazer, quer para a sua construção, quer para a sua felicidade.

Os primeiros passos foram os mais difíceis e requereram-lhe mais tempo. Era preciso ganhar confiança, era preciso que a teia e a sua hábil construtora comungassem dos mesmos ideais e quisessem as mesmas coisas e era preciso que se adequassem ambas ao sítio que partilhavam.

À medida que adquiriu confiança, que estabeleceu laços, que se dedicou, a aranha ia ficando cada dia mais feliz e cada dia mais dependente do seu resultado final, da sua teia.

Depressa compôs as últimas linhas da teia. Estas eram as mais agradáveis de fazer. Unificavam todas as pontas em comum, solidificavam as bases que ela tinha erigido e davam segurança a toda a base, davam segurança a toda a relação. Eram as linhas que lhe colocavam os sorrisos de expressão, que a faziam querer continuar a construir sem nunca parar, sem nunca desistir, mesmo que o cansaço também estivesse presente. Eram aquelas linhas e aqueles momentos que a faziam melhor consigo mesma. Finalmente, o seu trabalho fazia sentido e a sua vida parecia valer a pena.

Porém, havia prazos a cumprir e antes que a pequena e frágil aranha pudesse alcançar o seu ténue sonho, o tempo congelou os seus fios e deitou por baixo todos os planos que ela sabia estar prestes a completar.

Faltavam apenas dois pequenos fios.
Dois pequenos fios que impossibilitaram a ligação de um sonho inteiro.

Se a pequena aranha e a sua teia tivessem antecipado um pouco os seus passos e não tivessem demorado tanto tempo nas primeiras linhas, talvez a teia estivesse agora completa e não estivesse agora o tempo como culpado.

Afinal, eram e são só dois fios por fazer.

Terão eles realmente que fazer a diferença?

AnaCatarina

segunda-feira, 1 de junho de 2009

I will miss

Irá chegar o dia em que me irei perguntar como foi possível. Como foi possível viver da maneira que vivi, nos lugares e com as companhias que escolhi.
Irá chegar o dia em que pensarei em como foram bons os velhos tempos e como me deixam saudades, de como me recordo de cada sitio, de cada rosto, de cada momento feliz ou simplesmente ridículo, de cada desabafo dito e cada confissão ouvida, de cada conversa cara a cara ou de cada conversa virtual que a convivência não pôde proporcionar, de cada sorriso e de cada despedida por muito curta que fosse, de cada minuto, de cada dia, de cada mês, de cada ano, de cada pessoa, de tudo o que foi realmente especial e que deixa saudades…

Irá chegar (não tarda) o momento em que serão proclamadas palavras bonitas, de promessas de nunca esquecer os que são importantes, de nunca nos afastarmos, de nos encontrarmos e de revivermos o que foi importante. Irá chegar (e sabemos que virá) o momento em que o afastamento será inevitável e teremos de aprender a viver novamente a vida, desta vez num sítio diferente e com pessoas diferentes.

Mais tarde, quando tudo forem apenas memórias e quando proferirmos que já foi há tanto tempo, iremos recordar com carinho cada pessoa, mais ou menos amiga, cada pessoa com quem nos identificávamos bastante ou nem por isso e serão esquecidas as diferenças que nos fizeram criticar, bem como as melhores características que nos fizeram amar e tudo será pensado e repensado com carinho. Iremos arrependermo-nos do tempo que desperdiçámos com coisas sem importância, das pessoas que perdemos por receio de nos perdermos a nós mesmos, dos sentimentos que não vivemos por não saber o que diriam e o que sentiriam quem devia sentir ou dizer.

Depressa passará o tempo e daremos por nós a quebrar as promessas que fizemos aos melhores amigos e daremos por nós a pensar em como tudo foi mudando.

E mais depressa do que eu desejo, teremos que saber despedir-nos de quem foi importante e especial, de quem gostamos demasiado, de quem temos muitas recordações, de quem conversou e compreendeu, de quem se divertiu, de quem sentiu e de quem viveu.

Mas seremos pelo menos sempre jovens nas nossas melhores recordações. Serão as recordações dos melhores amigos de sempre. Até as próprias memorias serão as melhores das melhores. Pois se a separação é inevitável, pelo menos, que as marcas daquilo que fomos, sejam as melhores e sejam para sempre.