quarta-feira, 1 de julho de 2009

Uhm?!

Hoje reparei num anúncio de televisão à Maionese magra. Salvo engano, referem que 72% das pessoas que provaram o novo produto nem notaram sequer a diferença de paladar entre a maionese normal e a magra.


Após uma rápida análise, conclui que o publico alvo desta publicidade seria:
· Pessoas que gostem de maionese!
· Pessoas que gostem de maionese mas pretendem manter a linha (ou corrigi-la) ou levar a cabo uma alimentação mais saudável.


Ora bem, assim, pensei para mim:
· A publicidade já não é o que era. Devem existir abusivas quantidades de indivíduos que não gostem de maionese (a minha mãe!) e que não são contemplados por esta publicidade. Um anúncio que se preze deveria, além de captar a atenção dos consumidores de maionese, atrair novos consumidores. Mas não, prefere dirigir-se a um público mais restrito.
· Além de não ser o que era, agora fazem-se publicidades por fazer. Vejamos: a maionese não é um ingrediente utilizado em grandes somas nem numa vasta quantia de pratos. Logo, não é um produto que consumamos (isto para quem consome, porque como já referi, nem toda a gente gosta de maionese!) em quantidades abusivas de frascos de cada vez que vamos às compras. Assim, para quem quer reduzir o peso ou manter a linha, irá realmente cortar nas raras calorias que ingere de vez a vez, com a maionese?
Claro que aqui podem usar o argumento “ah e tal, é mais saudável!” Está certo. É. Poderá ser. Mas será que o adjectivo “magra” se adequa ao preço? Ou pelo contrário pela fabulosa maionese magra pagaremos os nutrientes, ingredientes, proteínas, ácidos, gorduras e a componente “ ah e tal, é mais saudável”? Se for assim, talvez a maionese magra saia um pouco mais gorda que a não é magra!
E cá temos de novo o público-alvo a reduzir! Quem gosta, quem quer emagrecer, quem quer ser saudável e quem pode pagar por uma maionese magra mais gorda que a outra em termos “centimentais” (de cêntimos = €).
· Se calhar, esta publicidade tem um fim que não descortinei ao inicio da análise: aumentar o tempo ou só mesmo a variedade de anúncios que passam nos intervalos das novelas.


Prosseguindo o meu raciocínio:
Em 100 pessoas, 72 não notaram a diferença no gosto das maioneses (Logo, 28 pessoas notaram). Mas se a maionese não é um ingrediente consumido em grandes quantias e em várias refeições, como poderiam as 72 pessoas notar a diferença? Ou então, supondo que eu quero ser mais saudável, ou manter a linha ou emagrecer, adquiro um frasco de maionese magra e pertenço aos 28% de pessoas que notaram a diferença, e até nem gosto da maionese? Ou então, se for dos 72% que não sente a diferença e me questionar se não estarei a ser ludibriada, pagando e acreditando numa maionese mais saudável e estiver a consumir a mesma que antes, mas a um preço maior?


Se eu desenvolvi este vasto raciocínio, coloco agora duas últimas questões:
· Não é de pensar que todos os que gostam de maionese se tenham colocado também em pelo menos uma das questões que eu a mim própria coloquei?
· Será que estou a dar muita importância a este assunto?

terça-feira, 30 de junho de 2009

Ida às compras em Lisboa!

Preparo-me para uma ida às compras em Lisboa. Já fiz a minha lista:

  • Uns calções de banho
  • Uns calções normais
  • uma camisola

Dirijo-me para a baixa, pois sei que lá encontrarei muitas daquelas superfícies gigantescas onde a roupa se acumula em pirâmides prestes a desmoronar. Afinal, se procurar de certeza que hei de encontrar o que procuro.

Vou de metro. Está um calor abrasador. Chego lá e já só me apetece voltar e tomar um banho. Mas como isso significaria não comprar aquilo que quero, então continuei.

Entro numa das tais superfícies comerciais a que me referi. Deparo-me com um mundo têxtil à minha frente. Uma multidão desloca-se apressadamente carregando pilhas de roupa por entre os braços.

Atordoado vou para o primeiro cabide que consegui visualizar nitidamente. ah, que bom! São calções. Um bocado formais, mas que se lixe! Vou experimentar e logo vejo se gosto. Procuro os provadores de roupa durante dez minutos. Reparo que a fila para os provadores é maior do que a fila para pagar. Em Lisboa há filas para tudo!

Desisto, ponho os calções na pirâmide mas próxima e dirijo-me para a saída. Estou com tanto calor que vou já para casa. De repente vejo uma parede com pulseiras. Estou tão revoltado que pego numa indiscriminadamente e vou pagar. Aparece o meu irmão com uns calções que experimentou rapidamente.

Pago a pulseira e os calções. Vou-me embora o mais rápido que consigo, com uma dor de cabeça daquelas bem fortes. Passo por uma parte da loja que nem tinha visto antes. E logo a parte mais jovem da loja. Sinto-me estúpido. Estive o tempo todo na parte mais formal! Volto costas e vou para casa, de metro novamente. Pago o meu bilhete numa daquelas máquinas que só nos roubam tempo e lá vou eu, com destino ao lar. Sinto-me fatigado e farto desta cidade tão grande. Chego a casa e avalio os prejuízos:

  • Uma pulseira que ainda não estou certo de que a vou usar
  • Uns calções que paguei, mas são para o meu irmão, que já me disse que não gostava muito deles.
  • menos trinta e tal euros na carteira
  • Um cansaço e um calor de morrer
  • Uma dor de cabeça que ameaça perdurar

Ufa! Vou dormir e esquecer que alguma vez me levantei.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Passar férias sem gastar muito dinheiro

Se gostava de passar umas boas férias com pouco dinheiro aqui tem a minha sugestão pode fazer estas maravilhosas férias em casa ou no seu emprego. ( se o patrão não se chatear)

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Violino

Lembrava-se do dia em que se tinham cruzado pela primeira vez. Do bom dia educado que tinham trocado e dos olhares indiferentes e normais de dois estranhos que se vêm pela primeira vez.

Agora que forçava a memória lembrava-se do vestido vermelho que vestia naquele dia e porque o tinha escolhido. Era o dia do seu concerto a solo de violino. E tinham-lhe dito que um vestido elegante deveria ser o mais adequado para a ocasião. E como não gostava de roupas elegantemente adequadas nem de roupas vermelhas, decidiu que não poderia haver melhor combinação do que aquela que fizera. Seguia as regras dos outros, quebrando uma das suas regras. Mas devia ser ao contrário. Devia fugir das regras que lhe ditavam.
No entanto, seria mais uma vez a rapariga politicamente correcta, como sempre fora.

Tinha-se cruzado com o sujeito, originalmente vestido e penteado. Era bonito e mesmo mentindo, não podia negar que o desejou seu desde o primeiro olhar. Forte e sedutor, opostamente a ela, parecia ignorar a existência de normas.

Mas tinha um concerto e um desconhecido, ainda que apetecível, não podia adiar o compromisso. Não seria correcto.

Enquanto caminhava pelo corredor vazio para o ensaio geral antes da estreia, vislumbrou dois vultos também eles politicamente correctos, a cometerem incorrecções naquele espaço apertado. Invejou-os. A sensatez não os impedia de não serem de vez em quando emotivos. E porque tinha ela que ser sempre a melhor, a mais correcta?

Esqueceu-se do ensaio.
Voltou a trás e atalhou por uma passagem que dava acesso à sala convívio dos actores.

Depois, viu-o. Como arduamente desejava.
Falou-lhe em surdina e saiu com ele até ao seu camarim.

Pediu-lhe que se virasse enquanto ela despia o seu vestido elegante e adequado e iria trocar por um adequado e elegante vestido cinzento, que completaria com um penteado simples e com o seu relógio colorido que não poderia levar ao concerto, por ser colorido e inadequadamente deselegante.

Mas ele não seguia regras, como ela sabia. E ela não só sabia como tinha esperança que não fossem os seus pedidos polidos e educados que o fizessem faltar às suas próprias regras (i) morais.

Depois, ficou ali.
Solitário e espectador.
Num cubículo inadequadamente adequado.
Um violino.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Vício!




As paixões eram um pequeno vício forte. Apareciam de leve e deixavam-no impaciente pela chegada da sua pessoa querida, levavam-no a ser o maior romântico e o maior poeta de amor.
Mas depressa acabavam.


Ou porque os feitios não eram compatíveis ou porque a sua capacidade de pensar em demasia o impedia de levar um amor infundado até ao fim.


Depois de confessar que não dava mais, que já não podiam continuar, andava um tempo a pensar em quem tinha deixado atrás.


Pior ainda que as paixões que terminava praticamente no inicio, eram aquelas que nem começava com medo de ter de as acabar.
A paixão, forte, sensual, vil, ousada e voluptuosa, essa, tinha ficado também, mas agora havia recordações.


Recordações mais perigosas que as paixões.


Recordava-se dos motivos que o tinham levado a fazer uma declaração sentida e dos motivos que o tinham feito admirá-la enquanto ela sacudia o seu cabelo e lhe sorria.
Recordava-se das vezes em que percorriam as calçadas de mãos dadas e dos muitos segredos que trocavam em frente ao antigo teatro, e das promessas, e dos planos e das confissões.


As recordações pediam-lhe que esquecesse aquilo que a razão lhe incutia e que voltasse atrás enquanto ainda havia tempo.


Mas não podia ser assim.


Afinal, quem mandava nele era o pensamento, que previamente lhe dissera que as paixões podiam não correr do modo que planeava e poriam em risco a sua busca desmesurada pela perfeição.


E era doloroso para ele todos os meses que se seguiam a um amor por viver ou àquele que tinha vivido de forma incompleta. Era difícil imaginar os contornos de um rosto que desejava ter nas suas mãos ou ainda imaginar a suavidade da pele que acariciava nos dias bonitos em que se sentavam no muro de pedra junto ao rio, apenas conversando.


Era complicado refazer-se após uma paixão. E era quase anormal o tempo que levava a olhar novamente para outra rapariga sem que primeiro a assemelha-se à sua paixão inacabada. Pelos olhos, pelos sorrisos, pelos comentários, pelos contornos do rosto, pelos pensamentos, pelos sentimentos, tudo era no inicio comparado com quem ainda permanecera na memória, perigosa e tentadora.


Mas depois, mais forte que o seu pensamento vinha o vicio. O vicio de procurar a felicidade num novo rosto, numa nova rapariga, numa nova paixão. E embora soubesse, no seu adormecido irrequieto sono subconsciente, que a razão o chamaria em breve, tentava de novo encontrar aquilo que sempre desejaria. E que por muito penoso que fosse, nunca desistiria.

Afinal, vício é vício.