Hoje reparei num anúncio de televisão à Maionese magra. Salvo engano, referem que 72% das pessoas que provaram o novo produto nem notaram sequer a diferença de paladar entre a maionese normal e a magra.
Após uma rápida análise, conclui que o publico alvo desta publicidade seria:
· Pessoas que gostem de maionese!
· Pessoas que gostem de maionese mas pretendem manter a linha (ou corrigi-la) ou levar a cabo uma alimentação mais saudável.
Ora bem, assim, pensei para mim:
· A publicidade já não é o que era. Devem existir abusivas quantidades de indivíduos que não gostem de maionese (a minha mãe!) e que não são contemplados por esta publicidade. Um anúncio que se preze deveria, além de captar a atenção dos consumidores de maionese, atrair novos consumidores. Mas não, prefere dirigir-se a um público mais restrito.
· Além de não ser o que era, agora fazem-se publicidades por fazer. Vejamos: a maionese não é um ingrediente utilizado em grandes somas nem numa vasta quantia de pratos. Logo, não é um produto que consumamos (isto para quem consome, porque como já referi, nem toda a gente gosta de maionese!) em quantidades abusivas de frascos de cada vez que vamos às compras. Assim, para quem quer reduzir o peso ou manter a linha, irá realmente cortar nas raras calorias que ingere de vez a vez, com a maionese?
Claro que aqui podem usar o argumento “ah e tal, é mais saudável!” Está certo. É. Poderá ser. Mas será que o adjectivo “magra” se adequa ao preço? Ou pelo contrário pela fabulosa maionese magra pagaremos os nutrientes, ingredientes, proteínas, ácidos, gorduras e a componente “ ah e tal, é mais saudável”? Se for assim, talvez a maionese magra saia um pouco mais gorda que a não é magra!
E cá temos de novo o público-alvo a reduzir! Quem gosta, quem quer emagrecer, quem quer ser saudável e quem pode pagar por uma maionese magra mais gorda que a outra em termos “centimentais” (de cêntimos = €).
· Se calhar, esta publicidade tem um fim que não descortinei ao inicio da análise: aumentar o tempo ou só mesmo a variedade de anúncios que passam nos intervalos das novelas.
Prosseguindo o meu raciocínio:
Em 100 pessoas, 72 não notaram a diferença no gosto das maioneses (Logo, 28 pessoas notaram). Mas se a maionese não é um ingrediente consumido em grandes quantias e em várias refeições, como poderiam as 72 pessoas notar a diferença? Ou então, supondo que eu quero ser mais saudável, ou manter a linha ou emagrecer, adquiro um frasco de maionese magra e pertenço aos 28% de pessoas que notaram a diferença, e até nem gosto da maionese? Ou então, se for dos 72% que não sente a diferença e me questionar se não estarei a ser ludibriada, pagando e acreditando numa maionese mais saudável e estiver a consumir a mesma que antes, mas a um preço maior?
Se eu desenvolvi este vasto raciocínio, coloco agora duas últimas questões:
· Não é de pensar que todos os que gostam de maionese se tenham colocado também em pelo menos uma das questões que eu a mim própria coloquei?
· Será que estou a dar muita importância a este assunto?

